terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Privacidade

  Privacidade - está aí um desejo de todos.
  Queremos ter nossos momentos só conosco mesmo sem nos dividirmos com ninguém. Podendo falar sozinho, gritar, pular, dançar do seu jeitão desengonçado, cantar desafinado, andar pelado, tudo isso sem ninguém para interromper, para cercear nossa liberdade. Só que nem todos têm essa chance, nem todos podem fazer isso trancados num banheiro ou num quarto. Tem gente que tem sua vida escancarada por não ter outra opção - o que não é o caso do Big Brother, onde estão todos os participantes sendo vigiados 24 horas por dia e por milhares de pessoas, porque nesse caso a vantagem é a fama e os prêmios que se pode ganhar. Mas coloque-se no lugar de uma pessoa que se vê obrigada ou a conter seu ego, suas vontades e sentimentos ou a ser o que quer ser e fazer o que quer fazer na frente do outro. É horrível, a pessoa se sente invadida, parece que lhe arrancaram algo preciosíssimo e que deixa um vazio e uma dor, a vida não faz mais sentido pra ela, porque agora todos viram o que não era pra ver dela. Era só dela!
 Sabia que nem todos tem o seu próprio quarto, para pôr ali suas coisinhas, suas cartinhas de amor, seus CDs de gosto duvidoso enfim, sua identidade? Um bom argumento pra se usar para lutar por privacidade  é essa verdade: precisa-se de privacidade para se construir identidade!
   Muitos já passaram por situações que lhe fizeram sentir a perda de um pedaço quando, por exemplo, alguém lhe sondou pela janela do banheiro enquanto tomava banho, ou foi surpreendido enquanto falava com as paredes sobre aquilo que saía do seu íntimo, ou então quando leram o seu diário! Ó não! O meu querido diário não!
 O assunto é seríssimo, talvez até aqui tenha parecido engraçado para os mais sádicos, porém agora vou trazer-lhes à memória um fato triste. Você assiste jornal, não assiste? Ou vê notícias pela internet não é verdade? Então, lembra-se do caso do garoto norte-americano que teve sua intimidade exposta e depois, por vergonha, se suicidou? Agora me diga se não é assunto sério?
  Concluo pedindo encarecidamente que vocês jamais cometam essa crueldade que é a invasão de privacidade, use os sentidos da visão e da audição somente para os devidos fins. Que tal uma boa leitura ou uma boa música? Aliás, escolha o que você quiser se você teve privacidade suficiente para construir sua identidade, decidir do que gosta ou não.

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