terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Covardia Todo Dia

A personalidade se concretiza nos atos.
Para alguns o planeta é um aconchegante lar, para outros é um freezer. Os que se sentem em casa conseguem superar desafios com maestria e elegância não aparentando ser tão fortes mas uma imagem de beleza delicada, os gelados são uns búfalos que passam por cima dos indefesos com covardia.
Viriato era a ingenuidade na sua melhor forma, Pedro era a feiura que destruía qualquer obra-prima - inclusive a da sua própria vida. Aquele tirava boas notas, era um excelente aluno, este era um animal irracional. Aquela informação toda dentro dos dois ia saindo parcialmente e aos poucos, o que deixava quem não os era ver a dimensão de cada um deles.
Imagine ambos numa sala de aula: contraste. A professora Ingrid ficava perplexa:
- Alguém sabe me explicar quando devo usar going to e quando devo usar will?!
Viriato arriscou:
- Eu aprendi, mas não me lembro agora, professora. Só sei que a diferença é muito tênue.
- Tênis?! Que tênis?! O meu? - Disse o búfalo jogando o seu calçado contra o menino.
E, depois disso, sucederam-se outras agressões. Viriato tinha medo de abrir o bico e sofrer consequências ainda piores.
Quando Viriato não conseguiu mais se conter, reagiu. Infelizmente o bovino o esfaqueou, matando-o.
Anos depois, Pedro já não tinha mais forças nem para a valentia nem para fazer o bem. O hospício tornou-se seu lar.
Sempre assim. Cada um com sua lucidez até que um dia o mundo a toma para si e a tira, ou não, de nós.


sábado, 10 de dezembro de 2011

Entrando Para a História

Malena já estava cansada das aulas da professora Fátima:
- Essa mulher fala, fala, fala e fala sozinha! Não entendo bulhufas!
Se ela tem algum conhecimento é para ser passado para seus alunos. Por que ela é tão egoísta e guarda tudo pra ela?!

A professora Fátima era professora de História, ou melhor:
- Ela é destruidora de História! - Dizia Malena.
O que acontecia de fato é que a destruidora era mesmo muito incompetente. Além do português ruim, as aulas eram chatas porque os seus alunos tinham que fazer resumos, escrever pra caramba, responder questões que nem o mais sábio historiador saberia responder, e, em vez de aprender sobre a História, ouviam histórias - aquelas da vida igualmente chata da infeliz docente:
- As múmia eram enterrada num caixão chamado cacófato - Ela queria dizer sarcófago.
- Porque um dia eu vou lá no Rio Grande do Sul pra visitar o túmulo dos meus avó. Minha mãe, que foi enterrada no cemitério aqui mesmo, falava que o túmulo dos velhinho era bonito de ver!
A Malena, que se interessava por esse negócio de pirâmides e cia., se assustou quando levantou a mão para perguntar sobre Tutankamon, a professora leu seus pensamentos:
- Tu tá ca mão levantada por quê?!
Foi quando a aluna entrou para a história ao responder a pergunta da professora:
- A professora é a senhora, a senhora é que tem que me falar de Tutankamon!
Os demais alunos não entenderam nada, nem mesmo a professora entendeu.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Blog Mal-Assombrado

Ela era uma menina romântica, doce, amiga, alto astral. Adorava escrever, era uma viciada em Sabrina. Um dia alguém, ao ler em seu caderno seus poemas, disse que ela deveria publicar aquilo num blog:
- Meu, que foda! É muito legal o que você escreve, me toca mesmo, tipo aquelas músicas anos 80 que eu adoro.
- Aff... Tipo Madonna ou Cindy Lauper?
- É, assim menininha.
- As menininhas daquela época já não são mais menininhas. A não ser as maluquinhas do contra feito você!
As garotas riem. Aquela que se encantou com a poesia insiste:
- Faz um blog para publicar isso.

Isso foi na sala de aula na sua rodinha de amigas, aquele climinha que não precisamos ir muito longe para encontrar.
O nome dela era Ludmila. Um nome bem fofo, assim como a detentora dele.
Ludmila então faz um blog e começa a publicar seus poemas adolescentes. Por exemplo:


"As pétalas de rosas
Olham para mim
pedindo minha carícia,


como eu, esperançosa,
querendo o seu sim,
que seria uma delícia!"


E assim foi que este e dezenas de outros pensamentos e sentimentos vinham a público. Até que um dia, entusiasmada para postar mais, ela não consegue acessar sua conta: foi rackeada!
No começo ela ficou inconsolável, ainda bem que tudo estava salvo no PC. Mas o tempo passou, dois anos exatamente, e alguém, que mal sabia que o blog existia e muito menos que ele havia sido abandonado, diz:
- Me contaram que você escreve umas coisas lindas, que você é blogueira. É verdade?! Qual é o endereço do seu site?!
- Eu tinha um blog, mas já era, foi rackeado. Daí desanimei, nem fiz outro e aliás, tinha até esquecido, nunca mais acessei. Aliás, seria interessante ver se ele continua lá. O endereço é esse. - Ela então anota num papel que fica com o cara.
Lud acessa o blog e vê que tudo continua lá e não há nada de novo. Isso traz até lembranças daquela época. Empolgada, ela tenta acessar o blog, com a senha antiga e adivinhem: não, ela não consegue. Então ela retorna às páginas que tinha acessado e surpresa: uma nova postagem que Lud lê assustada. Um texto contando a história de uma menina chamada Ludmila:


"Segredos de Ludmila


Lud era invejosa como qualquer outra menina de 15 anos, porém ela sabia esconder, não era como aquelas imbecis que tinham atitudes na frente da pessoa que sentiam inveja deixando evidente que estão com dor de cotovelo. Foi por isso que, em segredo, ela colocou água oxigenada no creme de hidratação da sua colega, de lindos cabelos negros dos quais ela não abria mão. Ela ficou com aquilo na cabeça um tempão para ficar com os cabelos macios. E loiros! Hahaha!
Que desespero!
Isso me lembra aquela música, sucesso nos anos 80: "Oh, Girls just wanna have fun!"
Ninguém sabia quem fora o autor do crime. Até agora! Hahahaha!
No entanto, a Lud é uma boa menina, tanto que se amanhã mesmo ela não xingar a professora Ingrid de vadia na frente de todos, ela vai ficar careca! Mas ela vai me obedecer, eu sei que vai! Hahaha!


Autor desconhecido, discreto, mas muito esperto! Hahaha!"





- Como assim?! Que babaquice! Ah, se eu pego quem fez isso!
Então nessa noite ela dorme tranquilamente. De manhã vai para a escola, e lá faz as amigas mais íntimas rirem ao contar essa história. A professora Ingrid vai embora sem ser xingada.
Chega a noite e Ludmila vai dormir. Dorme tranquilamente, nunca dormiu tão bem e ao acordar vai em direção ao espelho do seu guarda roupa e:


- Nãããããão! Eu tô careca!
Ela acessa o blog e vê uma nova postagem:


"Garota teimosa! Desobediente! Hahahahahaha!"


Aquela boa menina estava prestes a se tornar um monstro. Hahahaha!

domingo, 5 de junho de 2011

O tal meio ambiente 
tá meio doente! 
Que será de nós agora? 
Desejo-lhe melhoras! 


sexta-feira, 25 de março de 2011

Pra não esquecer de lembrar

A memória, a mente, as lembranças.
Memória é maior que lembrança,
até porque pra uma lembrança ser um quadro na parede da memória memória tem que ser maior que lembrança.
E lembrança é uma sutil provocação. 
Tem dessas lembranças abusadas que se desprendem da memória e mostram-se só um pouquinho para nos atiçar a querer mais, então a gente se concentra, porém nem assim ela vem quando o mar não está para peixe!
Faz-se de difícil!
Todavia, apreciamos essa tortura do remoer!
Prato saborosíssimo ao paladar dos melancólicos!
Quando conseguimos que a lembrança surja toda começamos com os porquês.
Isso é remoer:
"Por que tem que ser assim?"
"Por que eu não fiz o contrário?"
"Por que eu não disse isso àquela hora?"
Lembrança sensata e saudável é saudade daquela que não alimenta a utopia de trazer o passado de volta!
Mas o presente deve ser também respeitado,
afinal, só estando no presente podemos observar o passado.
Enfim, como diz aquela máxima:
Recordar é... É o que mesmo?
Esqueci!

Bruno Cezar Lopes